terça-feira, 30 de junho de 2020

Boa tarde com João Ubaldo Ribeiro

Nosso homenageado com o boa tarde é João Ubaldo Ribeiro, que foi um dos mais renomados escritores de nosso país, bacharel em Direito, professor e jornalista.

Preâmbulo:

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu em Itaparica aos 23 de janeiro de 1941, e faleceu no Rio de Janeiro, aos 18 de julho de 2014. Foi escritor e ganhador do Prêmio Camões de 2008. João Ubaldo Ribeiro teve algumas obras adaptadas para a televisão e para o cinema, além de ter sido distinguido em outros países, como a Alemanha. É autor de romances como Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos, que causou polêmica e ficou proibido em alguns estabelecimentos, e Viva o Povo Brasileiro, tendo sido, esse último, destacado como samba-enredo pela escola de samba Império da Tijuca, no Carnaval de 1987.

Pequena biografia:

Nascido em 1941, assim que completou dois meses de idade sua família mudou-se para Aracaju, Sergipe, onde passou parte da infância. Sua mãe era Maria Filipa Osório Pimentel e seu pai, Manuel Ribeiro, advogado e professor de renome na capital baiana, veio a ser o fundador e diretor do curso de Direito da Universidade Católica de Salvador. Principalmente por ser professor, não suportava a idéia de ter um filho analfabeto e assim João iniciou seus estudos com um professor particular, em 1947. 

Alfabetizado precocemente para a época ( aos seis anos já lia livros ), ingressou no Instituto Ipiranga, em 1948, ano em que leu muitos livros infantis, principalmente a obra de Monteiro Lobato. O pai de João sempre fora exigente, o que fez do garoto se empenhar intensamente nos estudos, e incentivado por ele, leu autores como Padre Antônio Vieira, Padre Manuel Bernardes, Shakespeare, Homero, Miguel de Cervantes, Machado de Assis e José de Alencar, dentre outros, que o influenciaram.

Em 1951 ingressou no Colégio Estadual Atheneu Sergipense, em Aracaju. Prestava ao pai, diariamente, contas sobre os textos que havia lido e algumas vezes era obrigado a resumí-los e traduzir alguns de seus trechos. Afirma ter feito essas tarefas com prazer e, nas férias, estudava também o latim. Nesta época seu pai era chefe da Polícia Militar e, passa a sofrer pressões políticas, o que o faz transferir-se com a família para Salvador. 

Na capital baiana João Ubaldo é matriculado no Colégio Sofia Costa Pinto. Em 1955 matriculou-se no curso clássico do Colégio da Bahia, conhecido como Colégio Central, onde conheceu seu colega Glauber Rocha. 

Em 1957 estréia no jornalismo, trabalhando como repórter no Jornal da Bahia, sendo depois transferido para a Tribuna da Bahia, onde chegaria a exercer o posto de editor-chefe. 

Editou juntamente com Glauber Rocha, revistas e jornais culturais e participa do movimento estudantil ( 1958 ), por ocasião do início do seu Curso de Direito na Universidade Federal da Bahia, o qual concluiria em 1962. 

Apesar de nunca ter exercido a profissão de advogado, foi aluno exemplar. Nessa mesma Universidade, concluído o curso de Direito, faz pós-graduação em Administração Pública.

Em 1959 participou da antologia Panorama do Conto Baiano, com o conto Lugar e Circunstância; a antologia é publicada pela Imprensa Oficial da Bahia. Nesse período trabalha na Prefeitura de Salvador como office-boy do Gabinete e logo em seguida como redator do Departamento de Turismo. No mesmo ano, entrou para o curso do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército no CPOR da Bahia., mas não chegou a completá-lo: escolhido para compor um grupo de estudantes convidado para uma viagem para os Estados Unidos, na volta ao quartel foi injustamente desligado. 

Em 1961, participa da coletânea de contos Reunião, editada pela Universidade Federal da Bahia, com os contos Josefina, Decalião e O Campeão.

Em 1963 escreveu seu primeiro romance, Setembro Não Faz Sentido, com prefácio do colega Glauber Rocha e apadrinhamento de Jorge Amado. O título original seria A Semana da Pátria, mas por sugestão da editora, João alterou o título.

Em 1964, João Ubaldo parte para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos concedida pelo governo daquele país para fazer seu mestrado em Ciência Política na Universidade do Sul da Califórnia. 

Voltou ao Brasil em 1965 e começou a lecionar Ciências Políticas na Universidade Federal da Bahia. Ali permaneceu por seis anos, mas desistiu da carreira acadêmica e retornou ao jornalismo.

Participou, em Cuba, do júri do concurso Casa das Américas, juntamente com o critico literário Antônio Cândido e o ator e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri. O primeiro prêmio havia sido concedido à brasileira Ana Maria Machado. Residindo em Portugal editou com o jornalista Tarso de Castro, a revista Careta. 

Pela Editora Civilização Brasileira lança, em 1971, o romance Sargento Getúlio, feito que garantiu a João o Prêmio Jabuti de 1972 concedido pela Câmara Brasileira do Livro, na categoria "Revelação de Autor". Segundo a crítica da época, o livro contém o melhor de Graciliano Ramos e o melhor de Guimarães Rosa.

Publicou, em 1974, o livro de contos Vencecavalo e o outro povo, cujo título inicial era A guerra dos Pananaguás, pela Editora Artenova. Com tradução feita pelo próprio autor, vários romances tornaram-se famosos no exterior, entre eles o Sargento Getúlio que, lançado nos Estados Unidos em 1978, ganhou receptividade pela crítica do país. Em 1981 muda-se para Lisboa, Portugal e, voltando ao Brasil, publica Política - livro ainda adotado em faculdades e republicado como Já Podeis da Pátria Filhos -, além de iniciar colaboração no jornal O Globo. Sua produção jornalística nessa época foi reunida em 1988 no livro Sempre aos Domingos.

Em 1982 inicia o romance Viva o Povo Brasileiro ( intitulado primeiramente como Alto lá, meu general ). Nesse ano participou do Festival Internacional de Escritores, em Toronto, Canadá. Viva o povo Brasileiro é finalmente editado em 1984, e recebe o Prêmio Jabuti na categoria "Romance" e o Golfinho de Ouro, do Governo do Rio de Janeiro. Inicia a tradução do livro para a língua inglesa, tarefa que lhe consumiu dois anos de trabalho, a partir do qual preferiu utilizar o computador. Ao lado dos escritores Jorge Luis Borges e Gabriel Garcia Marquez, participa de uma série de nove filmes produzidos pela TV estatal canadense sobre a literatura na América Latina.

Em 1983, estréia na literatura infanto-juvenil com o livro Vida e paixão de Pandonar, o cruel. 

Em 1989 lança o romance O sorriso do lagarto. 

Sua segunda experiência na literatura infanto-juvenil apresenta-se em 1990 com o livro A Vingança de Charles Tiburone.

Neste ano João participa do já citado Frankfurter Rundschau e, retornando em 1991 ao país de origem, hospeda-se no Rio de Janeiro.  Voltou a residir no Rio de Janeiro em 1991 e, em 1994, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. 

É em 1994 que também lança o livro de crônicas Um brasileiro em Berlim, sobre sua estada na cidade. 

Participou no mesmo ano da Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha, recebendo o Prêmio Anna Seghers, concedido somente a escritores alemães e latino-americanos. 

Publica, em 1997, o romance O feitiço da Ilha do Pavão, pela Editora Nova Fronteira. No mesmo ano, antes da publicação deste romance, João é hospitalado com fortes dores de cabeça devido uma queda. 

Fora escolhido, em 1999, um dos escritores em todo mundo para dar um depoimento ao jornal francês "Libération" sobre o milênio que se aproximava na época.

Em 2000, saíram várias reedições de seus livros na Alemanha, incluindo uma nova edição de bolso de Sargento Getúlio. 

O sorriso do lagarto foi publicado na França. "A casa dos Budas ditosos" foi traduzido para o inglês, nos Estados Unidos. Viva o povo brasileiro foi indicado para o exame de Agrégation, um concurso nacional realizado na França para os detentores de diploma de graduação.

Seus principais romances são Sargento Getúlio, Viva o Povo Brasileiro e O Sorriso do Lagarto, no qual expressa com bastante vivacidade e imaginação exuberante aspectos políticos e sociais da vida nordestina e brasileira.

Podemos assinalar a importância do jornalismo na vida de João Ubaldo Ribeiro, pois ele colaborou nos editais de O Globo, Frankfurter Rundschau ( na Alemanha ), Jornal da Bahia, Die Zeit ( Alemanha ), The Times Literary Supplement ( Inglaterra ), O Jornal ( Portugal ), Jornal de Letras ( Portugal ), O Estado de S. Paulo, A Tarde e muitos outros, exteriores e nacionais. 

Morreu na madrugada do dia 18 de julho de 2014 em sua casa, no bairro do Leblon, na cidade do Rio de Janeiro. Ubaldo sofreu uma embolia pulmonar. No dia 19 de julho seu corpo foi cremado.

Reconhecimento:

•João foi detentor da cátedra de Poetikdozentur ( Docente em poesia ) na Universidade de Tübigen, Alemanha.

•Seu livro Viva o povo brasileiro foi escolhido como samba-enredo da escola Império da Tijuca para o carnaval do ano de 1987. 

•A 26 de Novembro de 1987 foi feito Comendador da Ordem do Mérito de Portugal. 

•Em 1993 foi eleito para a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras, na vaga aberta com a morte do jornalista Carlos Castello Branco. 

•Participou em 1994 da Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha, recebendo o Prêmio Anna Seghers, concedido somente a escritores germanófonos e latino-americanos. 

•Em 2008 recebeu o Prêmio Camões pelo "alto nível de sua obra literária", "especialmente densa das culturas portuguesa, africanas e dos habitantes originais do Brasil". Ele foi o oitavo brasileiro a ganhar o prêmio. 

•Um dos grandes criadores de artigos jornalísticos no Jornal da Bahia e Jornal A Tarde, onde esses além de serem críticos-educativos, fortalecem a construção política da sociedade que tem acesso aos seus materiais.

Obras: 

- Romances:
•Setembro não tem sentido - 1968
•Sargento Getúlio - 1971
•Vila Real - 1979
•Viva o povo brasileiro - 1984
•O Sorriso do Lagarto - 1989
•O feitiço da Ilha do Pavão - 1997
•A Casa dos Budas Ditosos - 1999
•Miséria  e  grandeza  do  amor de Benedita ( primeiro livro virtual lançado no Brasil ) - 2000
•Diário do Farol - 2002
•O Albatroz Azul - 2009

- Contos:
•Vencecavalo e o outro povo - 1974
•Livro de histórias - 1981. Reeditado em 1991, incluindo os contos "Patrocinando a arte" e "O estouro da boiada", sob o título de Já podeis da pátria filhos

- Crônicas:
•Sempre aos domingos – 1988
•Um brasileiro em Berlim – 1995
•Arte e ciência de roubar galinha – 1999
•O Conselheiro Come – 2000
•Você me mata, mãe gentil – 2004
•A gente se acostuma a tudo – 2006
•O rei da noite – 2009

- Ensaios:
•Política: quem manda, por que manda, como manda - 1981
Literatura infanto-juvenilEditar
•Vida e paixão de Pandonar, o cruel - 1983
•A vingança de Charles Tiburone - 1990
•Dez bons conselhos de meu pai - 2011







Boa tarde com Isabel Allende

O boa tarde homenageia a escritora chilena/norte-americana Isabel Allende Llona ( Lima, Peru, 2 de agosto de 1942 ), autora de váriasas obras, sendo a mais conhecida, A Casa dos Espíritos.

Isabel Allende nasceu em 2 de agosto de 1942 em Lima, no Peru, onde o seu pai diplomata se encontrava em trabalho. No entanto, a sua nacionalidade é chilena, tendo-se tornado cidadã norte-americana em 2003. 

É filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo-irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona.

Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. 
Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende ( 1908-1973 ).

O seu livro mais editado foi A Casa dos Espíritos ( 1982 - La casa de los espíritus ), que ganhou reconhecimento de público e crítica. A obra resultou num filme A Casa dos Espíritos ( 1993 ), realizado por Bille August, com Jeremy Irons, Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas, tendo grande parte das rodagens decorrido em Lisboa e no Alentejo, em Portugal.

Em 1995 lançou o livro Paula, que escreveu para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfíria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. Paula passou a ser então um retrato autobiográfico.

Obras:

Romances:
•1982 - La casa de los espíritus ( A Casa dos Espíritos )
•1983 - La logon Asulon ( A Lagoa Azul )
•1984 - De amor y de sombra ( De amor e de sombra )
•1987 - Eva Luna ( Eva Luna )
•1991 - El plan infinito ( O plano infinito )
•1995 - Paula ( Cartas a Paula )
•1998 - Afrodita ( Afrodite )
•1999 - Hija de la fortuna ( Filha da fortuna )
•2000 - Retrato en sepia ( Retrato em sépia )
•2002 - La ciudad de las bestias . A cidade das feras ( Brasil ), A cidade dos deuses selvagens ( Portugal )
•2003 - El reino del dragón de oro ( O reino do dragão de ouro )
•2004 - El bosque de los pigmeos ( O bosque dos Pigmeus )
•2005 - El Zorro ( Zorro, começa a lenda )
•2006 - Inés del alma mía ( Inês da minha alma )
•2007 - La suma de los días ( A soma dos dias )
•2009 - La isla bajo el mar ( A ilha sob o mar )
•2011 - El Cuaderno de Maya ( O Caderno de Maya )
•2014 - El Juego de Ripper ( O Jogo de Ripper )
•2015 - El amante japonés ( O Amante Japonês )
•2017 - Más allá del invierno ( Para além do inverno )
•2019 - Largo Pétalo de Mar ( Longa Pétala de Mar )

Memórias:
•2003 - Mi país inventado ( O meu país inventado )

Contos:
•1984 - La gorda de porcelana
•1989 - Cuentos de Eva Luna ( Contos de Eva Luna )

Peças para o teatro:
•El embajador ( representada no Chile em 1971 )
•La balada del medio pelo ( 1973 )
•Los siete espejos ( 1974 )
•Los Tomates Del Fábio Cagón ( 2004 )

Prêmios e distinções:
•Premio Nacional de Literatura de Chile ( 2010 )
•Medalha Presidencial da Liberdade ( EUA, 2014 )








Boa tarde com Nelson Rodrigues

O boa tarde tem como homenageado o jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues.

Nelson Falcão Rodrigues ( Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980 ) foi um escritor, jornalista, romancista, teatrólogo, contista e cronista de costumes e de futebol brasileiro. É considerado o mais influente dramaturgo do Brasil.

Pequena biografia: 

Nascido no Recife, Pernambuco, Nelson ( quinto de quatorze irmãos ) mudou-se em 1916 para a cidade do Rio de Janeiro ainda criança, onde viveria por toda sua vida. Seu pai, o ex-deputado federal e jornalista Mário Rodrigues, perseguido politicamente, resolveu estabelecer-se na então capital federal em julho de 1916, empregando-se no jornal Correio da Manhã, de propriedade de Edmundo Bittencourt.

Segundo o próprio Nelson em suas Memórias, seu grande laboratório e inspiração foi a infância vivida na Zona Norte da cidade. Dos anos passados numa casa simples na rua Alegre, 135 (atual rua Almirante João Cândido Brasil), no bairro de Aldeia Campista, saíram para suas crônicas e peças teatrais as situações provocadas pela moral vigente na classe média dos primeiros anos do século XX e suas tensões morais e materiais.

Quando maior, trabalhou no jornal A Manhã, de propriedade de seu pai, Mário Rodrigues. Neste período, a família Rodrigues conseguiria atingir uma situação financeira confortável, mudando-se para o bairro de Copacabana, então um arrabalde luxuoso da orla carioca.

Foi repórter policial durante longos anos, de onde acumulou uma vasta experiência para escrever suas peças a respeito da sociedade. Nelson seguiu os seus irmãos Mílton, Mário Filho e Roberto integrando a redação do novo jornal. Ali continuou a escrever na página de polícia, enquanto Mário Filho cuidava dos esportes e Roberto, um talentoso desenhista, fazia as ilustrações. Crítica era um sucesso de vendas, misturando uma cobertura política apaixonada com o relato sensacionalista de crimes. Mas o jornal existiria por pouco tempo. Em 26 de dezembro de 1929, a primeira página de Crítica trouxe o relato da separação do casal Sylvia Serafim e João Thibau Jr. Ilustrada por Roberto e assinada pelo repórter Orestes Barbosa, a matéria provocou uma tragédia. Sylvia, a esposa que se desquitara do marido e cujo nome fora exposto na reportagem invadiu a redação de Crítica e atirou em Roberto com uma arma comprada naquele dia. Nelson testemunhou o crime e a agonia do irmão, que morreu dias depois. Mário Rodrigues, deprimido com a perda do filho, faleceu poucos meses após. Finalmente, durante a Revolução de 30, a gráfica e a redação de Crítica são empastelados e o jornal deixa de existir. Sem seu chefe e sem fonte de sustento, a família Rodrigues mergulha em decadência financeira. Foram anos de fome e dificuldades para todos. 

Ajudado por Mário Filho, amigo de Roberto Marinho, Nélson passa a trabalhar no jornal O Globo, sem salário. Apenas em 1932 é que Nélson seria efetivado como repórter no jornal. Pouco tempo depois, Nelson descobriu-se tuberculoso. Para tratar-se, retira-se do Rio de Janeiro e passa longas temporadas em um sanatório na cidade de Campos do Jordão. Seu tratamento é custeado por Marinho, que conquistou a gratidão de Nélson pelo resto de sua vida. Recuperado, Nelson volta ao Rio e assume a seção cultural de O Globo, fazendo a crítica de ópera.

No O Globo, foi editor do suplemento O Globo Juvenil. Além de editar, Nelson roteirizou algumas histórias em quadrinhos para o suplemento, dentre elas, uma versão de O fantasma de Canterville, de Oscar Wilde,[10] com desenhos de Alceu Penna.[11]

Em 1940 casou-se com Elza Bretanha, sua colega de redação.

A partir da década de 1940, Nelson dividiu-se entre o emprego em O Globo e a elaboração de peças teatrais. 

Em 1941 escreve sua primeira peça, A Mulher sem Pecado, que lhe deu os primeiros sinais de prestígio dentro do cenário teatral. 

Pouco tempo depois assinou a revolucionária Vestido de noiva, peça dirigida por Zbigniew Ziembiński e que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro com estrondoso sucesso,  trazendo em matéria de teatro, uma renovação nunca vista nos palcos brasileiros. Com seus três planos simultâneos ( realidade, memória e alucinação construíam a história da protagonista Alaíde ), as inovações estéticas da peça iniciaram o processo de modernização do teatro brasileiro.

A consagração se seguiria com vários outros sucessos, transformando-o no maior dramaturgo brasileiro do século XX, apesar de suas obras terem sido, quando lançadas, tachadas por críticos como "obscenas", "imorais" e "vulgares". 

Em 1945 abandonou O Globo e passou a trabalhar nos Diários Associados. Em O Jornal, um dos veículos de propriedade de Assis Chateaubriand, começou a escrever seu primeiro folhetim, Meu destino é pecar, assinado pelo pseudônimo "Suzana Flag". O sucesso do folhetim alavancou as vendas de O Jornal e estimulou Nelson a escrever sua terceira peça, Álbum de família. Em fevereiro de 1946, o texto da peça foi submetido à Censura Federal e proibido. Álbum de família só seria liberada em 1965. 

Em abril de 1948 estreou Anjo negro, peça que possibilitou a Nelson adquirir uma casa no bairro do Andaraí e em 1949 Nelson lançou Doroteia.

Em 1950 passou a trabalhar no jornal de Samuel Wainer, a Última Hora. No jornal, Nélson começou a escrever os contos de A vida como ela é, seu maior sucesso jornalístico.

Em 1962, começou a escrever crônicas esportivas, deixando transparecer toda a sua paixão por futebol. É nesta década que Nelson passou a trabalhar na recém-fundada TV Globo, participando da bancada da Grande Resenha Esportiva Facit, a primeira "mesa-redonda" sobre futebol da televisão brasileira e, em 1967, passou a publicar suas Memórias no mesmo jornal Correio da Manhã onde seu pai trabalhou cinquenta anos antes.

Nos anos 70, consagrado como jornalista e teatrólogo, a saúde de Nélson começa a decair, por causa de problemas gastroenterológicos e cardíacos de que era portador. O período coincide com os anos do regime militar, que Nelson sempre apoiou. Como cronista do jornal O Globo atacava diversos oposicionistas do regime: chamava dom Hélder Câmara de falsário, ex-católico e arcebispo vermelho.

Politicamente, gostava de se intitular como um reacionário. Chegou a apoiar o Regime Militar Brasileiro e elogiar o governo do presidente General Emilio Garrastazu Medici. 

No final da vida, após ter seu filho Nelsinho preso e torturado,
Nelson revisou seus posicionamentos e militou pela anistia "ampla, geral e irrestrita" aos presos políticos. 

Nelson faleceu numa manhã de domingo, em 1980, aos 68 anos de idade, de complicações cardíacas e respiratórias. Foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo. 

No fim da tarde daquele mesmo dia ele faria treze pontos na Loteria Esportiva, num "bolão" com seu irmão Augusto e alguns amigos de "O Globo".

Obras: 

Romances
•Meu destino é pecar - 1944
•Escravas do amor - 1944
•Minha vida - 1944
•Núpcias de fogo - 1948
•A mulher que amou demais - 1949 (sob o pseudônimo de Myrna)[12]
•O homem proibido - 1959
•A mentira - 1953
•Asfalto Selvagem: Engraçadinha, Seus Pecados e Seus Amores - 1959
•O casamento - 1966
Contos
•Cem contos escolhidos - A vida como ela é... - 1972
•Elas gostam de apanhar - 1974
•A vida como ela é — O homem fiel e outros contos - 1992
•A dama do lotação e outros contos e crônicas - 1992
•A coroa de orquídeas - 1992
•Pouco amor não amor - 2002
Crônicas
•Memórias de Nélson Rodrigues - 1967
•O óbvio ululante: primeiras confissões - 1968
•A cabra vadia - 1970
•O reacionário: memórias e confissões - 1977
•Fla-Flu...e as multidões despertaram - 1987
•O remador de Ben-Hur - 1992
•A cabra vadia - Novas confissões - 1992
•A menina sem estrela - memórias - 1992
•À sombra das chuteiras imortais - Crônicas de Futebol - 1992
•A mulher do próximo - 1992
•A pátria em chuteiras - Novas crônicas de futebol - 1994, Companhia das Letras, 195 pp., ISBN-10: 8571643830.
•A pátria de chuteiras - 2012, Nova Fronteira, 144 pp., ISBN-10: 8520933122
•Nélson Rodrigues, o Profeta Tricolor - 2002
•Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo - 2002
•O Berro impresso nas Manchetes - 2007
•O quadrúpede de vinte e oito patas
•Brasil em campo - 2018

Peças

- Peças psicológicas:
•A mulher sem pecado - 1941 - Direção: Rodolfo Mayer
•Vestido de noiva - 1943 - Direção: Zbigniew Ziembiński
•Valsa nº 6 - 1951 - Direção: Milton Rodrigues
•Viúva, porém honesta - 1957 - Direção: Willy Keller
•Anti-Nélson Rodrigues - 1974 - Direção: Paulo César Pereio

- Peças míticas:
•Álbum de família - 1946 - Direção: Kleber Santos
•Anjo negro - 1947 - Direção: Zbigniew Ziembiński
•Senhora dos Afogados - 1947 - Direção: Bibi Ferreira
•Doroteia - 1949 - Direção: Zbigniew Ziembiński

- Tragédias cariocas:
•A falecida - 1953 - Direção: José Maria Monteiro
•Perdoa-me por me traíres - 1957 - Direção: Léo Júsi
•Os sete gatinhos - 1958 - Direção: Willy Keller
•Boca de Ouro - 1959 - Direção: José Renato
•O beijo no asfalto - 1960 - Direção: Gianni Ratto
•Bonitinha, mas ordinária - 1962 - Direção Martim Gonçalves
•Toda nudez será castigada - 1965 - Direção: Zbigniew Ziembiński
•A serpente - 1978 - Direção: Marcos Flaksman

Novelas: 
•Pouco amor não é amor e A morta sem espelho, TV Rio, 1963
•Sonho de amor e O desconhecido, RecordTV, 1964
•O homem proibido, Rede Globo, 1982

Adaptação para a TV, séries e minisséries ( todas pela Rede Globo ):
•Meu destino é pecar, 1984
•Engraçadinha: seus amores e seus pecados, 1995
•A vida como ela é, 1996

Cinema:
Baseados na obra de Nelson Rodrigues

•Somos dois - 1950 - Direção: Milton Rodrigues
•Meu destino é pecar - 1952 - Direção: Manuel Pelufo
•Mulheres e milhões - 1961 - Direção: Jorge Ileli
•Boca de ouro - 1963 - Direção: Nelson Pereira dos Santos
•Meu nome é Pelé - 1963 - Direção: Carlos Hugo Christensen
•Bonitinha mas ordinária - 1963 - Direção: J.P. de Carvalho
•Asfalto selvagem - 1964 - Direção: J.B. Tanko
•A Falecida - 1965 - Direção: Leon Hirszman
•O beijo - 1966 - Direção: Flávio Tambellini
•Engraçadinha depois dos trinta - 1966 - Direção: J.B. Tanko
•Toda nudez será castigada - 1973 - Direção: Arnaldo Jabor
•O casamento - 1975 - Direção: Arnaldo Jabor
•A dama do lotação - 1978 - Direção: Neville d'Almeida
•Os sete gatinhos - 1980 - Direção: Neville d'Almeida
•O Beijo no Asfalto - 1980 - Direção: Bruno Barreto
•Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende - 1981 - Direção: Braz Chediak
•Álbum de família - 1981 - Direção: Braz Chediak
•Engraçadinha - 1981 - Direção: Haroldo Marinho Barbosa
•Perdoa-me por me traíres - 1983 - Direção: Braz Chediak
•Boca de ouro - 1990 - Direção: Walter Avancini
•Traição - 1998 - Direção: Arthur Fontes, Cláudio Torres e José Henrique Fonseca
•Gêmeas - 1999 - Direção: Andrucha Waddington
•Vestido de noiva - 2006 - Direção de Joffre Rodrigues
•Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende - 2009
•A Serpente - 2016 - Direção: Jura Capela








29 de junho. Festa junina de S. Pedro. Cards

Da série Títulos de livros:

Poeminha para S. Pedro.
Autora: Poesia Maria©

24 de junho. Noite de S. João. Card


sábado, 13 de junho de 2020

Lindo vídeo para valorizar momentos da vida


13 de junho, card


Dia dos namorados, card.


Boa tarde com Zélia Gattai

A homenageada com o boa tarde ( um cartão para cada dia da semana ), é a escritora Zélia Gattai.

Zélia Gattai Amado de Faria GOIH ( São Paulo, 2 de julho de 1916 — Salvador, 17 de maio de 2008 ) foi uma escritora, fotógrafa e memorialista ( como ela mesma preferia denominar-se ) brasileira, tendo também sido expoente da militância política nacional durante quase toda a sua longa vida, da qual partilhou cinquenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até a morte deste. 

Pequena biografia: 

Filha dos imigrantes italianos Angelina e Ernesto Gattai, é era a caçula de cinco irmãos. Nasceu e morou durante toda a infância no bairro da Consolação, em São Paulo. Zélia participava, com a família, do movimento político-operário anarquista que tinha lugar entre os imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, no início do século XX. Aos vinte anos, casou-se com Aldo Veiga. Deste casamento, que durou oito anos, teve um filho, Luís Carlos, nascido na cidade de São Paulo, em 1942. 

Leitora entusiasta de Jorge Amado, Zélia Gattai o conheceu em 1945, quando trabalharam juntos no movimento pela anistia dos presos políticos. A união do casal deu-se poucos meses depois. 

A partir de então, Zélia Gattai trabalhou ao lado do marido, passando a limpo, à máquina, seus originais e o auxiliando no processo de revisão.
Em 1946, com a eleição de Jorge Amado para a Câmara Federal, o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, onde nasceu o filho João Jorge, em 1947. Um ano depois, com o Partido Comunista declarado ilegal, Jorge Amado perdeu o mandato, e a família teve que se exilar.
Viveram em Paris por três anos, período em que Zélia Gattai fez os cursos de civilização francesa, fonética e língua francesa na Sorbonne. 
De 1950 a 1952 a família viveu na Checoslováquia, onde nasceu a filha Paloma. Foi neste tempo de exílio que Zélia Gattai começou a fazer fotografias, tornando-se responsável pelo registro, em imagens, de cada um dos momentos importantes da vida do escritor baiano.

Em 1963 mudou-se com a família para a casa do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, onde tinha um laboratório e se dedicava à fotografia, tendo lançado a fotobiografia de Jorge Amado intitulada Reportagem incompleta. 

Aos 63 anos de idade, começou a escrever suas memórias. O livro de estreia, Anarquistas, graças a Deus, ao completar vinte anos da primeira edição, já contava mais de duzentos mil exemplares vendidos no Brasil. Sua obra é composta de nove livros de memórias, três livros infantis, uma fotobiografia e um romance. Alguns de seus livros foram traduzidos para o francês, o italiano, o espanhol, o alemão e o russo.

Anarquistas, graças a Deus foi adaptado para minissérie pela Rede Globo e Um chapéu para viagem foi adaptado para o teatro. 

Ao lançar seu primeiro livro, Anarquistas graças a Deus, Zélia Gattai recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária de 1979. No ano seguinte, recebeu o Prêmio da Associação de Imprensa, o Prêmio McKeen e o Troféu Dante Alighieri. A Secretaria de Educação do Estado da Bahia concedeu-lhe a Medalha Castro Alves, em 1987. Em 1988, recebeu o Troféu Avon, como destaque da área cultural e o Prêmio Destaque do Ano de 1988, pelo livro Jardim de inverno. O livro de memórias Chão de meninos recebeu o Prêmio Alejandro José Cabassa, da União Brasileira de Escritores, em 1994.

Em 2001 foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira 23, anteriormente ocupada por Jorge Amado, que teve Machado de Assis como primeiro ocupante e José de Alencar como patrono. No mesmo ano, foi eleita para a Academia de Letras da Bahia e para a Academia Ilheense de Letras. Em 2002, tomou posse nas três. 

Obras: 
•Anarquistas      Graças      a      Deus,     1979    ( memórias )
•Um      Chapéu       Para       Viagem,     1982  
 ( memórias )
•Pássaros Noturnos do Abaeté, 1983
•Senhora Dona do Baile, 1984 ( memórias )
•Reportagem Incompleta, 1987 ( memórias )
•Jardim de Inverno, 1988 ( memórias )
•Pipistrelo das Mil Cores, 1989 ( literatura infantil )
•O Segredo da Rua 18, 1991 ( literatura infantil )
•Chão de Meninos, 1992 ( memórias )
•Crônica     de     Uma     Namorada,    1995 
( romance )
•A Casa do Rio Vermelho, 1999 ( memórias )
•Cittá di Roma, 2000 ( memórias )
•Jonas e a Sereia, 2000 ( literatura infantil )
•Códigos de Família, 2001
•Um Baiano Romântico e Sensual, 2002
•Memorial do amor, 2004
•Vacina de sapo e outras lembranças, 2006








quinta-feira, 4 de junho de 2020

Boa tarde com William Shakespeare

O boa tarde dessa semana, é com William Shakespeare, "O bardo".

Pequena biografia: 

William Shakespeare ( Stratford-upon-Avon, 1564; batizado a 26 de abril — Stratford-upon-Avon, 23 de abril de 1616 ) foi um poeta, dramaturgo e ator inglês, tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo. 

É chamado frequentemente de poeta nacional da Inglaterra e de "Bardo do Avon" ( ou simplesmente The Bard, "O Bardo" ). De suas obras, incluindo aquelas em colaboração, restaram até os dias de hoje 38 peças, 154 sonetos, dois longos poemas narrativos, e mais alguns versos esparsos, cujas autorias, no entanto, são ainda disputadas. 

Suas peças foram traduzidas para todas as principais línguas modernas e são mais encenadas que as de qualquer outro dramaturgo. Muitos de seus textos e temas permanecem vivos até os nossos dias, sendo revisitados com frequência, especialmente no teatro, na televisão, no cinema e na literatura.

Shakespeare nasceu e foi criado em Stratford-upon-Avon. Aos 18 anos casou-se com Anne Hathaway, com quem teve três filhos: Susanna e os gêmeos Hamnet e Judith. Entre 1585 e 1592 William começou uma carreira bem-sucedida em Londres como ator, escritor e um dos proprietários da companhia de teatro chamada Lord Chamberlain's Men, mais tarde conhecida como King's Men. Acredita-se que ele tenha retornado a Stratford em torno de 1613, morrendo três anos depois. Restaram poucos registros da vida privada de Shakespeare, e existem muitas especulações sobre assuntos como a sua aparência física, sexualidade, crenças religiosas, e se algumas das obras que lhe são atribuídas teriam sido escritas por outros autores.

Shakespeare produziu a maior parte de sua obra entre 1590 e 1613. Suas primeiras peças eram principalmente comédias e obras baseadas em eventos e personagens históricos, gêneros que ele levou ao ápice da sofisticação e do talento artístico ao fim do século XVI. A partir de então escreveu apenas tragédias até por volta de 1608, incluindo Hamlet, Rei Lear e Macbeth, consideradas algumas das obras mais importantes na língua inglesa. Na sua última fase, escreveu um conjuntos de peças classificadas como tragicomédias ou romances, e colaborou com outros dramaturgos. Diversas de suas peças foram publicadas, em edições com variados graus de qualidade e precisão, durante sua vida. 

Em 1623, John Heminges and Henry Condell, dois atores e antigos amigos de Shakespeare, publicaram o chamado First Folio, uma coletânea de suas obras dramáticas que incluía todas as peças ( com a exceção de duas ) reconhecidas atualmente como sendo de sua autoria.

Shakespeare foi um poeta e dramaturgo respeitado em sua própria época, mas sua reputação só viria a atingir o nível em que se encontra hoje no século XIX. 

Os românticos, especialmente, aclamaram a genialidade de Shakespeare, e os vitorianos idolatraram-no como um herói, com uma reverência que George Bernard Shaw chamava de "bardolatria". 

No século XX sua obra foi adotada e redescoberta repetidamente por novos movimentos, tanto na academia e quanto na performance. 
Suas peças permanecem extremamente populares hoje em dia e são estudadas, encenadas e reinterpretadas constantemente, em diversos contextos culturais e políticos, por todo o mundo.

Principais obras:

- Comédias:

•Trabalhos de Amores Perdidos – 1590
•A Comédia dos Erros – 1591
•Os Dois Cavalheiros de Verona – 1591
•Sonho de uma Noite de Verão – 1594
•O Mercador de Veneza – 1594
•A Megera Domada – 1594
•Noite de Reis – 1599
•As Alegres Comadres de Windsor – 1599
•Muito Barulho por Nada – 1600
•Medida por Medida – 1604
•Péricles, Príncipe de Tiro – 1604
•Conto do Inverno – 1610
•Cimbelino – 1611
•A Tempestade – 1611

- Tragédias:

•Tito Andrônico – 1592
•Romeu e Julieta – 1592
•Júlio César – 1599
•Hamlet – 1599 (eBook)
•Tróilo e Créssida – 1602
•Otelo, o Mouro de Veneza – 1604
•Rei Lear – 1605
•Macbeth – 1606
•Antônio e Cleópatra – 1607
•Coriolano – 1608
•A Tempestade – 1611

- Dramas históricos:

•Rei João
•Ricardo II
•Ricardo III
•Henrique IV, Parte 1
•Henrique IV, Parte 2
•Henrique V
•Henrique VI, Parte 1
•Henrique VI, Parte 2
•Henrique VI, Parte 3
•Henrique VIII
•Eduardo III