quinta-feira, 16 de julho de 2020

Boa tarde com Ana Cristina Cesar

O boa tarde homenageia a escritora e poetisa Ana Cristina Cesar. Lembro que comentamos com muito pesar na época da faculdade, a notícia de sua morte, pois Ana Cristina falava diretamente aos jovens com sua poesia direta, cujo estilo marginal alavancava nossas idéias. Uma perda inestimável para a literatura, deixou um material muito atual até hoje. Sua poesia cabe em qualquer tempo.

Pequena biografia: 
Ana Cristina Cruz Cesar ( Rio de Janeiro, 2 de junho de 1952 — Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1983 ) foi uma poeta, crítica literária, ensaísta, professora e tradutora brasileira, conhecida como Ana Cristina Cesar ou Ana C., simplesmente. 

É considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo, conhecida também como a literatura marginal da década de 1970. 

Filha do sociólogo e jornalista Waldo Aranha Lenz Cesar e da professora Maria Luiza Cruz, Ana Cristina Cruz Cesar nasceu em uma família culta e protestante de classe média carioca. Irmã de Flávio Cesar ( viúvo de Gabriela Leite, fundadora da Daspu ) e de Filipe Cesar.

Antes mesmo de ser alfabetizada, aos seis anos de idade, já ditava poemas para sua mãe. Em 1969, Ana Cristina Cesar viajou à Inglaterra em intercâmbio pela Rotary Fundation e passou um período em Londres, onde travou contato com a literatura em língua inglesa. Quando regressou ao Brasil, com livros de Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield  nas malas, dedicou-se a escrever e a traduzir, entrando para a Faculdade de Letras   da  Pontifícia  Universidade  Católica do  Rio  de  Janeiro 
( PUC-RJ ),  aos dezenove anos.

Cesar começou a publicar poemas e textos de prosa poética na década de 1970 em coletâneas, revistas e jornais alternativos. Seus primeiros livros, Cenas de Abril e Correspondência Completa, foram lançados em edições independentes. As atividades de Ana Cristina não pararam: pesquisa literária, mestrado em comunicação pela Universidade   Federal   do   Rio  de  Janeiro
( UFRJ ), outra temporada na Inglaterra para   um  mestrado  em  tradução  literária
( na Universidade de Essex ) em 1980, e a volta ao Rio, onde publicou Luvas de Pelica, escrito na Inglaterra. 

Em suas obras, Ana Cristina Cesar mantém uma fina linha entre o ficcional e o autobiográfico. Neste meio tempo, colaborou com críticas jornalísticas em revistas e jornais brasileiros e internacionais. 

Vale muito acrescentar parte do conteúdo do Suplemento Cultural do Diário Oficial de Pernambuco, intitulado "Ler Ana C. é namorar um documento", de onde este trecho foi retirado: 
"Mas em 1980, dois anos antes de A teus pés, Ana Cristina Cesar publicou um pequeno livro de ensaios intitulado Literatura não é documento que pode ser uma chave de acesso muito mais interessante ao seu procedimento e à articulação de seu pensamento para o poema, pensamento que desembocaria de vez no seu único livro de 1982. Os ensaios deste livro tratam basicamente de uma crítica às visões determinadas da literatura a partir, principalmente, da composição de um certo modo de documentá-la, ou seja, de construir documentos fixos e encaixados numa espécie de dominação ontológica da nacionalidade exaltada. Ana Cristina se refere à produção de documentários cinematográficos feita sob a tutela dos governos ditatoriais ( Vargas e Militar ), principalmente, para instituir a figura definitiva do “autor nacional”: monopolização da memória e cultura como patrimônio seguro. São cinco ensaios muito interessantes que, me parece, apresentam uma clave crítica das mais pertinentes e que têm muito a ver com o gesto da poesia de Ana Cristina Cesar. São gestos de intervenção contra uma ideia de literatura lida como monumento ou patrimônio e estabelecendo linhas de fuga que propõem outro jogo: da premissa do engajamento para uma inferência de acolhimento (daí os modos de operação que usa em sua poesia, todos efêmeros: o diário íntimo, a anotação de caderneta, a carta, a confissão, o bilhete, a opção pela prosa — esta queda no prosaico —, a imagem oblíqua do texto que é sempre uma visita, a presença incessante de um Outro, a conversa, uma interlocução, um “qual-quer” e o poema como um corpo beligerante etc.), das imagens localizadas que constituem um vulto sublimado numa ambiência originária e num valor da cultura nacional para uma perspectiva circulante da literatura e, enfim,entre tantas outras articulações, da literatura como função derivada e derivante de um sistema escolar historicista e autoritário ou como ponta de lança de prestígio e material publicitário em direção a um arejamento e a uma suspeita, a uma aprendizagem do político e a uma desconfiança, a um apagamento e a uma festa da inteligência."

Cometeu suicídio aos trinta e um anos, atirando-se pela janela do apartamento dos pais, no sétimo andar de um edifício da rua Toneleros, em Copacabana.

Armando Freitas Filho, poeta brasileiro, foi o melhor amigo de Ana Cristina Cesar, para quem ela deixou a responsabilidade de cuidar postumamente das suas publicações. O acervo pessoal da autora está sob tutela do Instituto Moreira Salles. A família fez a doação mediante a promessa de os escritos ficarem no Rio de Janeiro.

Em 2016, pela colaboração da sua obra dentro da historiografia literária brasileira, foi homenageada na Festa Literária Internacional de Paraty.

Obras: 

Poesia:
•Cenas de abril (1979)
•Correspondência completa (1979)
•Luvas de pelica (1980)
•A Teus Pés (1982)
•Inéditos e Dispersos (1985)
•Novas Seletas (póstumo, organizado por Armando Freitas Filho)
•Poética (obra completa, 2015)

Crítica:
•Literatura não é documento (1980)
•Crítica e Tradução (1999)

Variados:
•Correspondência  Incompleta  
( organização:   Heloisa Buarque de Hollanda e Armando Freitas Filho, selo HB, e-galáxia )
•Escritos no Rio ( póstumo, organizado por Armando Freitas Filho )
•Escritos  em Londres ( póstumo, organizado por Armando Freitas Filho )
•Antologia  26   Poetas  Hoje,  vários  autores ( organização:  Heloisa Buarque de Hollanda )
•Ana Cristina Cesar – O sangue de uma poeta, de Italo Moriconi ( selo HB, e-galáxia )

- Fontes: Suplemento Cultural do Diário Oficial de Pernambuco, Wikipédia e Itaú Cultural.







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