Poema IV
Einar Már Guðmundsson (Islândia)
Um espelho fala em meio ao sono,
absorve a realidade.
Lá fora espelham-se as nuvens, navegam no céu
como um navio em direção ao porto.
Quantos portos há no céu?
Pergunte ao espelho, antes que a realidade acorde
e o silêncio assuma.
Ele é sedento como as nuvens.
Tudo isso acontece na alma.
As palavras flutuam no céu
e se levantam do abismo,
caminham cidades adentro
e se espelham nas nuvens
como as cores na luz.
*
Original:
[IV]
Spegill talar upp úr svefni,
drekkur í sig veruleikann.
Úti speglast skýin, sigla um himininn
einsog skip á leið til hafnar.
Hvað eru margar hafnarborgir á himnum?
Spurðu spegilinn, áður en veruleikinn vaknar
og þögnin tekur við.
Hún er þyrst einsog skýin.
Þetta gerist allt í sálinni.
Orðin svífa um himininn
og stíga upp úr djúpinu,
ganga inn í borgirnar
og spegla sig í skýjunum
einsog litirnir í ljósinu.
*Traduzido do islandês por Francesca Cricelli.
Poema 50
Sondre H. Bjørgum (Noruega)
daqui pra frente não sei mais nada
digo
é mais do que suficiente
dizes
enquanto as montanhas à nossa volta
desmoronam
no fiorde
*
Original:
[50]
frå no av veit me ingenting
seier eg
det er meir enn nok
seier du
medan fjella rundt oss
rasar ned
i fjorden
*Traduzido do norueguês-nynorsk por Luciano Dutra.


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