segunda-feira, 17 de abril de 2023

Duas poesias de autores nórdicos


Poema IV

Einar Már Guðmundsson (Islândia)



Um espelho fala em meio ao sono,

absorve a realidade.

Lá fora espelham-se as nuvens, navegam no céu

como um navio em direção ao porto.


Quantos portos há no céu?

Pergunte ao espelho, antes que a realidade acorde

e o silêncio assuma.

Ele é sedento como as nuvens.


Tudo isso acontece na alma.

As palavras flutuam no céu

e se levantam do abismo,

caminham cidades adentro

e se espelham nas nuvens

como as cores na luz.

*

Original:

[IV]


Spegill talar upp úr svefni,

drekkur í sig veruleikann.

Úti speglast skýin, sigla um himininn

einsog skip á leið til hafnar.


Hvað eru margar hafnarborgir á himnum?

Spurðu spegilinn, áður en veruleikinn vaknar

og þögnin tekur við.

Hún er þyrst einsog skýin.


Þetta gerist allt í sálinni.

Orðin svífa um himininn

og stíga upp úr djúpinu,

ganga inn í borgirnar

og spegla sig í skýjunum

einsog litirnir í ljósinu.


*Traduzido do islandês por Francesca Cricelli.




 

Poema 50

Sondre H. Bjørgum (Noruega)



daqui pra frente não sei mais nada

digo

é mais do que suficiente

dizes

enquanto as montanhas à nossa volta

desmoronam

no fiorde

*

Original:

[50]


frå no av veit me ingenting

seier eg

det er meir enn nok

seier du

medan fjella rundt oss

rasar ned

i fjorden


*Traduzido do norueguês-nynorsk por Luciano Dutra.

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