quinta-feira, 28 de maio de 2020

Cordel contra o Coronavírus

A poetisa Anne Karolinne 
valendo-se de um cordel de sua autoria, espalhou em rede social 
as formas de conter a pandemia


segunda-feira, 25 de maio de 2020

O poema que virou música: Pela luz dos olhos teus

Pela luz dos olhos teus é mais um poema de Vinicius de Moraes, publicado em 1960. A música composta pelo maestro Antonio Carlos Jobim ( Tom Jobim ) com participação de Miúcha. 

"Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar
Meu amor juro por Deus
Me sinto incendiar

Meu amor juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais la ra ra rá
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor e só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar
Meu amor juro por Deus
Me sinto incendiar

Meu amor juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais lá rá rá rá
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor e só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar"




quarta-feira, 20 de maio de 2020

Bailarina - Paulo Braga Silveira Junior

Levanta os braços e as pontas dos dedos
se unem, como um arco a se fechar...
Suavemente, então, põe-se a girar
qual brisa a deslizar nos arvoredos!

        O calcanhar se eleva e, ao se curvar,
devolve, o corpo... A sombra em arremedos...
        a forma de soltar-se em que segredos
        da gravidade a impedem de tombar.

Os pés preparam um “Demi-plié”
ou pedem a beleza de um “passê”
logrando acompanhar bem, no compasso.
           
Assim a bailarina nos fascina
   e, com doçura plena, nos ensina
  a festejar o amor, no mundo, escasso!

( Bailarina - Paulo Braga Silveira Junior )


Soneto da bailarina. Raphael Godoy

De tudo que fazia
Era quando dançava que mais sorria
Rodopiava e saltava
E nada se comparava

Nem a dança das folhas no outono
Nem um concerto mágico de piano
Era tão lindo e encantador
Do que vê-la dançando

Uma bailarina com ar de menina
Uma menina com olhar de mulher
Que com passos meu dia ilumina

Um achado incomparável
Diferente de qualquer menina
Era ela, a minha doce bailarina


( Soneto da bailarina. Raphael Godoy ) 


A bailarina. Toquinho

Um, dois, três e quatro,
Dobro a perna e dou um salto,
Viro e me viro ao revés
E se eu caio conto até dez.

Depois, essa lenga-lenga
Toda recomeça.
Puxa vida, ora essa!
Vivo na ponta dos pés.

Um, dois, três e quatro,
Dobro a perna e dou um salto,
Viro e me viro ao revés
E se eu caio conto até dez.

Depois, essa lenga-lenga
Toda recomeça.
Puxa vida, ora essa!
Vivo na ponta dos pés.

Quando sou criança
Viro orgulho da família:
Giro em meia ponta
Sobre minha sapatilha.

Quando sou brinquedo
Me dão corda sem parar.
Se a corda não acaba
Eu não paro de dançar.

Sem querer esnobar
Sei bem fazer um grand écart.
E pra um bom salto acontecer
Me abaixo num demi plié.

Sinto de repente
Uma sensação de orgulho
Se ao contrário de um mergulho
Pulo no ar num gran jeté.

Quando estou num palco
Entre luzes a brilhar,
Eu me sinto um pássaro
A voar, voar, voar. 

Toda bailarina pela vida vai levar
Sua doce sina de dançar, dançar, dançar...

Um, dois, três e quatro,
Dobro a perna e dou um salto,
Viro e me viro ao revés
E se eu caio conto até dez.

Depois, essa lenga-lenga
Toda recomeça.
Puxa vida, ora essa!
Vivo na ponta dos pés.


Poema de um louco. Desconheço a autoria

Poema de um louco
( desconheço a autoria )

Era meia noite e atrás do monte o sol forte brilhava no horizonte…

No banco da praça o careca penteava suas tranças com um pente sem dente…

O cego lia um jornal …

Estava eu andando parado, sentado de pé numa pedra de pau, com os olhos arregalados quase fechando, quando não muito longe dali havia um bosque sem árvores.

Os passarinhos pastavam alegremente enquanto as vacas cantavam pulando de galho em galho a procura de seus ninhos e
os elefantes descansavam à sombra de um pé de alface.

Resolvi voltar de pressa vagarosamente pra casa.

Chegando pela porta da frente que ficava nos fundos.

No quarto deitei meu paletó na cama e me pendurei no cabide.

Passei a noite em claro, pois esqueci de apagar as luzes.

Sonhei que estava acordado, quando acordei sonhei que estava dormindo.

Levantei-me e fui ao banheiro, onde resolvi almoçar. Logo senti um gosto horrível na boca. Havia comido o guardanapo e limpado a boca com o bife.

Fui então até o jardim e lá eu encontrei um papel em branco, que estava escrito: "Assim diziam aqueles nove profetas que eram três, Jacó e Pedro:

O mundo é mesmo uma bola quadrada, diante disso prefiro a morte do que morrer”.



Complementando, como diz o velho ditado "de médico, poeta e louco todo mundo tem um pouco",  seguem  cards muito criativos onde se dizem verdades brincando:










terça-feira, 19 de maio de 2020

Lilás era a cor dos nossos poemas - Tere Penhabe


"Eu lembro desse encanto, quando o tive
parceira de andorinhas e canários
de dia, sobre as rainhas, a voar
de noite, um canto solo a entoar...
Era lilás a cor desses poemas, que saudade!
Creio que somos jovens até na eternidade
pois mal me sento nesse canto a repensar
e vejo a cor, os meus poemas retomar.

Falta, por certo, o seu sorriso tão sincero
que nas andanças pelo mundo, não achei
então meu canto cala-se sob o impropério
porque na vida, de você me separei.
Mas não se foram nossos temas, estão inteiros

mesmo que o verso não se atreva nunca mais
os que fizemos são eternos e serão sempre
tal como a vida, sempre belos, e a cor lilás".




Tere Penhabe. 
Pequena biografia da escritora:


Terezinha Aparecida Penhabe Rossignoli,  nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo em São Paulo. Escreve desde os nove anos de idade, incentivada pelo saudoso professor Antonio Raimundo.

Primeiro poeta a despertar-lhe interesse e inspirações, foi J.G.de Araújo Jorge, através do livro AMO, presente de um grande amigo, também incentivador, Fernando Del Perez, a quem nunca conheceu pessoalmente.
Foi bancária de 1976 a 1995, em cujo período fez o curso de Letras, licenciatura plena, concluído em dezembro de 1986.

Durante o curso universitário, recebeu intensivos incentivos da  professora, poeta e amiga, Zenaide A. Negrão.

Deixou sua cidade natal em 1999, rumo à Itanhaém, cidade do litoral sul do estado de São Paulo, onde viveu até maio de 2004,
quando transferiu-se para a cidade de Santos, onde vive atualmente.

Em princípio, suas inspirações restringiam-se em exaltações aos sentimentos, principalmente o amor, em versos de poesia livre. Com a participação em foruns literários, essa preferência foi ampliada para sonetos, crônicas, contos, mensagens,
artigos, críticas e cordel.

Em 2003, recebeu de presente da sua filha Daniela Penhabe Pires, com colaboração de Fernando Kauffmann Barbosa, um site para divulgação de seus trabalhos na internet, fato esse que lhe rendeu imensas alegrias e incentivos.

Nome utilizado literariamente: 
Tere Penhabe.

Os textos escritos em dialeto regional, são assinados com o pseudônimo de  "Terê das Bêra Mar".

Home page pessoal: www.amoremversoeprosa.com

Vade mecum - Poesia Maria©. Poema

As vezes, do nada as palavras chegam...


Franz Kafka e a Boneca Viajante

Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular. 
Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando porque havia perdido sua boneca. 

Kafka ofereceu ajuda para encontrar a boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar. 
Nao tendo encontrado a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a boneca e leu para a garotinha quando se encontraram. A carta dizia : “Por favor, não chore por mim, parti numa viagem para ver o mundo. ”. 

Durante três semanas, Kafka entregou pontualmente à menina outras cartas , que narravam as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo : Londres, Paris, Madagascar…
Tudo para que a menina esquecesse a grande tristeza!

Esta história foi contada para alguns jornais e  inspirou  um  livro de Jordi Sierra i Fabra 
( Kafka e a Boneca Viajante ) onde o escritor imagina como como teriam sido as conversas e o conteúdo das cartas de Kafka.

No fim, Kafka presenteou a menina com uma outra boneca. 
Ela era obviamente diferente da boneca original. 
Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram…”. 

Anos depois, a garota encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca substituta. 

O bilhete dizia: 

“Tudo que você ama, você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.

 - Franz Kafka e a Boneca Viajante -


* Este texto foi divulgado por Sergio Marques, querido amigo de anos.
E...
Complementando o texto: 
Inspirado por essa história pouco conhecida de Kafka, contada por Dora Dymant, companheira do escritor na época, Jordi Sierra i Fabra recria as cartas nunca encontradas e que constituem um dos mistérios mais belos da narrativa do século XX.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Os gatos azuis de Rina Zeniuk. Gravuras e desenhos.

Rina Zeniuk, é uma artista plástica russa, natural da cidade de Minsk. Sua arte é expressada em gravuras e desenhos com traços firmes e muito coloridos. Conquistou fama mundial com seus blue cats ( gatos azuis ), e além de sites especializados ela tem seu trabalho difundido nas redes sociais, especialmente no Pinterest. 
Pelo que se sabe, a artista possui um gato de pelagem azul, que foi sua fonte de inspiração.














Frases de vários autores. Cards






















A Rosa. Bocage

"Tu, flor de Vénus,
Corada Rosa,
Leda, fragrante,
Pura, mimosa,

Tu, que envergonhas
As outras flores,
Tens menos graça
Que os meus amores.

Tanto ao diurno
Sol coruscante
Cede a nocturna
Lua inconstante,

Quanto a Marília
Té na pureza
Tu, que és o mimo
Da Natureza.

O buliçoso,
Cândido Amor
Pôs-lhe nas faces
Mais viva cor;

Tu tens agudos
Cruéis espinhos,
Ela suaves
Brandos carinhos;

Tu não percebes
Ternos desejos,
Em vão Favónio
Te dá mil beijos.

Marília bela
Sente, respira,
Meus doces versos
Ouve, e suspira.

A mãe das flores,
A Primavera,
Fica vaidosa
Quando te gera;

Porém Marília
No mago riso
Traz as delícias
Do Paraíso.

Amor que diga
Qual é mais bela,
Qual é mais pura,
Se tu, ou ela;

Que diga Vénus...
Ela aí vem...
Ai! Enganei-me,
Que é o meu bem."

Bocage, in "A Rosa 
( Cançoneta Anacreôntica )"


Notas:

1. Cançoneta, substantivo feminino. Na música significa pequena canção ou canção ligeira, bem-humorada ou espirituosa, por vezes satírica.

2. Anacreôntico ou anacreôntica é substantivo onde o tipo de palavras utilizadas  significam e determinam a realidade. Os substantivos denominam todas as coisas: pessoas, objetos, sensações, sentimentos, etc.

Na noite terrível - Poema de Álvaro de Campos ( Fernando Pessoa ). Imagens

Na Noite Terrível

Na noite terrível, substância natural de todas as noites,

Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites,

Relembro, velando em modorra incômoda,

Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.

Relembro, e uma angústia

Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.

O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver!

Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.

Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.

Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,

Na ilusão do espaço e do tempo,

Na falsidade do decorrer.
Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;

O que só agora vejo que deveria ter feito,

O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —

Isso é que é morto para além de todos os Deuses,

Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver ...
Se em certa altura

Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;

Se em certo momento

Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;

Se em certa conversa

Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —

Se tudo isso tivesse sido assim,

Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro

Seria insensivelmente levado a ser outro também.
Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,

Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;

Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;

Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,

Claras, inevitáveis, naturais,

A conversa fechada concludentemente,

A matéria toda resolvida...

Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.
O que falhei deveras não tem sperança nenhuma

Em sistema metafísico nenhum.

Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,

Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?

Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.

Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos,
Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca

Como uma verdade de que não partilho,

E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p'ra mim.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterônimo de Fernando Pessoa